morna


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morna, levou a dor às cores, e constantino envolto em fogo, húmido possível de agarrar, empalideceu. escureceu sob a atenção dos palhaços de olhos esbugalhados e lineares, eles em espelho ela no meio, a criar barreiras em tons de cinza. e sentiu o calor em torno do ventre sempre que o sol aquecia o céu como se ambos estivessem dentro dela. e era o que deus queria. e ainda bem que alívio saber que somos efémeros e de definição múltipla. o corpo personaliza-nos demais. lembrou-se do tempo em que apenas existia do pescoço para cima e o corpo não pesava, e não sentia a humidade do ventre, nem a convulsão dos fluidos, nem a irradiação a trepar pela coluna. o corpo era o que nos fazia sentir para além da necessidade. e a euforia invadiu os corpos desalmados que se sugam, chupando o sangue que resta e reduzindo-os a cadáveres que alimentarão a terra, fértil de novas histórias para uma nova era da humanidade, ou de outra idade, talvez mais humana.


7 Respostas a “morna”

  1. Blogger Vítor Leal Barros 

    beatriz, já te disse que adoro os teus textos... realmente ao lê-los dou por mim de tal maneira embrulhado neles que muitas vezes o fascínio deturpa-me a análise. não sei se concordas com o que te vou dizer, mas sinto em todos eles e ainda mais nos últimos que colocaste online três presenças, três qualquer coisa que possuem uma identidade e uma personalidade definidas ou em definição... como se todos eles fossem a verdade, a falsidade e a hipocrisia... ou como se todos eles fossem o céu, a terra e o volátil... ou ainda, como se todos eles fossem um 'eu', um 'tu' e um 'fantasma'. o 'eu' é forte e digno, o 'tu' vive amedrontado e "acorrentado" porque serve o 'eu' e o 'fantasma' paira sobre os dois, o 'eu' e o 'tu', como um "falso deus" mostrando "que o amor que vinha a declarar fazia anos, era apenas simulação". para além de terem personalidades diferentes, esses três seres habitam em espaços distintos. o 'eu' é quem comanda, ele vive numa casa real com paredes e juntas fortes mas apenas com uma janela. a sua casa não tem portas. o 'eu' ora deixa a janela aberta para que o 'tu' entre ora a fecha e, tal inerte consciente, deixa-se, quieto a observar o 'tu' que vive atrás do espelho. o 'fantasma' é vagabundo, não tem casa, ou então a sua casa é o ar, ou o fogo. a sua cama é transparente e o seu corpo é volátil, portanto ele entra quando quer, sem avisar, na casa de paredes fortes do 'eu' que ao vê-lo estremece, vibrando como uma corda de violino. o 'fantasma' é perverso e cruel. há dias em que ele se disfarça de 'tu' e então torna-se visível, lá, atrás do espelho... é nesses dias que o 'eu' desespera, levando "a dor às cores".

    desculpa-me a deambulação mas os teus textos são elos da mesma corrente, apesar de cada um existir em si, eles são todos o mesmo. e nessa corrente, ou nessa história que eu criei na minha cabeça através daquilo que escreves, existem essas três personalidades, esses três qualquer coisa.

    beijo grande e desculpa o comentário ter sido tão longo e provavelmente maçador.

  2. Blogger Beatriz Seabra 

    tu adoras os meus textos e eu adoro os teus comentários!

    estou de barriga cheia só por os ler. arrisco dizer que quase não preciso de ler mais algum até ao final do ano! Mas não, todos os comentários serão bem vindos. e gosto muito quando deixam ficar as vossas palavras.

    a tua interpretação é legítima porque é tua. e basta. confesso que nunca reduzi o universo do qual escrevo a um nº de personagens. e considero que não são apenas 3 porque muitas das vezes misturo numa ideia várias pessoas que já conheci, ou conheço, e até personagens, influências várias, e quando passo a ideia para as palavras aí surgem mais referências ainda.

    mas de facto, depois de ler a tua interpretação, e como no início digo que ´deus é apenas o interlocutor entre o que somos, o que não somos e o que poderemos vir a ser, e puderá dar resposta ou não, a querer saber porquê´é provável que a tua síntese esteja correcta.

    confesso também que não quero racionalizar sobre isso. assim fico mais livre. mas estou perfeitamente receptiva a interpretações. só quero que a influência dos textos seja construtiva para quem os lê. que façam pensar, o que costuma ser o efeito da minha presença.

    muito obrigada pelo impulso! um beijo grande para ti também!

  3. Blogger alex Alexandra 

    e não racionalizes! queremos-te assim, livre, para dares voz às personagens que cruzam a tua imaginação e/ou a tua memória,
    sejam elas duas, três ou milhares...
    será sempre enriquecedor ler-te.
    foi o Vitor quem me falou em ti e na qualidade dos textos que escreves,
    vou agradecer-lhe a sugestão.
    gostei muito do que li, vou passar por cá mais vezes!
    Alex

  4. Blogger Beatriz Seabra 

    obrigada alexandra! bem vinda ao poesis publica. estarei sempre receptiva.

  5. Anonymous Gloria 

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