a escarpa de gelo que trepou conduziu-a à queda na ribanceira. rolou o corpo parado pelo prado verde pontuado por uma casa rodeada de árvores altas e um fresco ribeiro. a casa era sua mas estava ocupada por outros. circulou à volta e prosseguiu caminho. não vou entrar agora, pensou. primeiro tenho de fazer outras viagens. e esta história estava longe. está tudo longe. os figurantes da época surgem agora aos poucos e vão-se lembrando de mim. ainda me lembro que me bateste à porta e me retiraram a consciência ensurdecendo os ouvidos. e as bactérias que poderosas foram quando quase fui atrás. instalaram-se ao redor da madre para me imobilizar. foi por um triz. mantiveram-me assim durante largos meses até poder dizer o que podia. e não pude dizer tudo. ainda assim ficou alguma areia no ar e talvez nos olhos. que vá para longe. e os sinais na rua tentam-no e mostram-lhe o caminho. e é quando se desvia dessas imagens que lhe partem os ossos e o fragmentam porque o roubam. e nesta exuberância sente um amor supremo e incondicional, e depois vê-se deitado ao meu lado e é quando lhe digo: não fujas mais de mim. e esta cena repete-se com ténues variações de toque das nossas epidermes.
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