e deus fê-la sonhar com duas esculturas inéditas, talvez de giacometti, numa máquina de fogo. e as figuras humanas nelas queimadas, consumidas, cheia de piedade, tentou salvar, mas as figuras não queriam ser tocadas, viviam bem na máquina, no fogo, queimadas, talvez até fossem felizes. deixou-as lá ficar. deveremos todos arder. atiraram a moeda ao ar e decidiram atravessar a luz em busca de alimento. e no deserto gelado, sujeitos a redemoinhos, e com os corpos nas esculturas cada vez mais pesados e lentos arrastados pela mente na qual fizeram janelas para ver a alma puderam viver que quando chegassem ao fim da travessia teriam de fazer todo o caminho de volta e declarar uma outra causa, vincar na terra um estandarte maior. o amor pelas mulheres. o pelo à volta do pescoço.
Assim é o homem, figura cega que não quer sair da máquina, preferindo ser consumido pela medíocridade da vida do que perder a protecção desta vidinha. Felizes os que têm bandeiras para vincar no chão. Gostei de te ler, e de agora te conhecer melhor. Segue esse teu belo caminho, no hiperespaço e onde mais longe o teu sonho alcançar.
Um beijo grande
e tu Jane, por onde andas?