e o filho não queria carregar o pai às costas e o pai não queria ser carregado pelo filho mas não queria abandonar a mãe. ela não lhe ficou com o pai. não lhe competia. haviam de confrontar-se como não o fizeram em vida. e assim foi. e uns porque desconhecem outros porque não querem saber, deixam-se ficar, a medo na sombra. mas por vezes são vistos. e o pai lá estava na entrada da sala, curioso pela visita inesperada. viu-o de relance, mas logo se desvaneceu no espaço. e ouviu o que tinha para lhe dizer. agarrou-lhe o ar quando saiu dali, anda comigo. há que os encaminhar. terão de seguir viagem para depois voltar em segurança. e tudo sempre muito dourado. já não se lembrava de nada a não ser de que era tudo muito dourado. e de saramago fixou, ursulina não me mates que sou teu filho, e a mãe comeu o filho e ai meu deus que horror. e o mar levou o filho da mãe. as águas castanhas arrastaram os destroços e o mar invadiu os olhos e cegou-o para a vida. virou-o para dentro, à superfície da pele ficou a alma, e a alma tem corpo de mulher e chora, chora, porque se sente feliz por não ter sido levada pelo mar, que já não é o que quer. ou queria. e ele também não sabe. e volta sempre a esta querência de voltar ao útero. pela mãe ou através da mãe. e chega. repouso os olhos no azul aveludado do texto.
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