bom estava o sol quente de novo, depois do frio nos arrepiar na madrugada em que beatriz acordou isis para lhe dizer, a rir muito de contente depois de escolhidas as sementes a lançar ao terreno fértil que deixou, que agora era ir, agora era só ir. e ria muito. naquela gargalhada solta a que estavamos habituados, feliz por isis a ver. e a luz prata azul branco reluziu sempre nas alturas certas, nos enquadramentos mais imprevistos, sem desdém pelos cenários mais pobres, como se nem cenários considerasse quando se manifesta. na cabeça pousada na almofada num conforto, mais do que nunca, um sorriso de amor pela beatriz. a ópera em breve. e eu feliz por ter visitado o planeta onde o sol é um violino dourado e os seus habitantes de uma espécie amável e acolhedora, sempre prontos a soltar a imaginação, e aqui, entre o metal e a rigidez das estruturas traduzidas em fórmulas de escrita deliciosa ao leigo, pois porque a assim não ser, não sei o que seria, estou eu a lançar-me no embalo dos caracteres mais desenhados.
e é sempre bom encontrar-me com Beatriz. talvez os dias não tenham sempre tantas horas como as desejadas pelos que rumam em busca do lugar onde o sol é um violino dourado. mesmo assim sorriem e, como beatriz, vão passando horas felizes por entre estruturas metálicas e paredes sólidas e sonham com a casa pequena, uma casa cheia de cantos e do tamanho do homem onde a memória se vai construindo e contando as histórias da alma. por entre as portas e as janelas, as fórmulas e as estruturas que deliciam os leigos como disse Beatriz, os que rumam ao lugar onde o sol é um violino dourado vão trabalhando dia a dia para que esse fascínio se mantenha. lembram-se que também eles já fraquejaram e que houve alturas em que pensavam que a casa pequena cheia de cantos era impossível neste tempo onde tudo é grande, mas ao olharem os leigos contentes com o seu sonho voltam a acreditar que essa casa existe e no dia seguinte acordam mais fortes...
até breve