atingido pelo trovão louco do pintor
18.4.05 por Beatriz Seabra | Enviar este post
confesso que sinto alívio por não ter de te receber no corpo com demasiada frequência. confesso que nunca seria demais. abeirado, falava da memória de imagens de nomes de prémios, e da irmã. deu-me tudo o que tinha. voei sobre paris como se asas tivesse e por entre o nevoeiro avistei a torre eiffel a pontuar o sena. as fachadas constantes a traçar muros, canais do meu movimento. siena era a cor deste registo, não. era em tons de cinza. na volta, depois de retomar o chão, no u formado pelas paredes brancas em torno da árvore, fingiram não entender as coisas, e foram a repetir o passeio do pintor, quando se quis livrar de wally, tapando-a com a vista de outras mulheres, alinhadas, umas atrás das outras em fila sem saber porquê, desinteressadas. nesta história wally chamava-se maggy, e sentaram-se os quatro nos bancos altos de estirador pousados no jardim. nessa noite, o poeta canalizou a ansiedade e a energia nervosa no que sabia fazer, fugir. no momento certo, a folha caiu da árvore. por baixo, lamas tinha um raio de luz, esfera branca que bem lhe ficava. os pés de cabra de maggy diziam tudo. no meio desta bestialidade ainda houve dignidade para diferir alguns beijos, algumas palavras de apreço. porque antes disso, houve a manifestação da luz verde água em círculo com raio duplo a apontar para a noite. atingido pelo trovão louco do pintor, estava a destratar as mulheres que lhe queriam bem. a família, promessa de uma vida nova, dentro de um fato macaco verde tropa. valentim observava o totalitarismo ácido do poeta. e as mulheres à volta sem poder de entrar. sem erro que o desacreditasse, de novo insistiu nos números. no fim a multidão sincronizada em ovação. mas apenas por lamas.
se era um totalitário então não era poeta, nunca poeta algum deixaria as mulheres à porta.
... desculpa beatriz mas aproveito para trocar umas ideias ctg a proposito da casa da música. não sou especialmente fã do koolhaas mas não acho que a casa da música seja só forma nem que seja um mau edifício, honestamente que não acho. quanto à relação do edifício com a envolvente que o pitta tanto criticava confesso que gostaria de o ver noutro local, mas no local onde está não há qualquer conflito de escala e olha que eu dei-me ao trabalho de documentar este argumento. em relação à programação não gostava que a casa da música se tornasse num shopping como disseste (dispensam-se aqueles concertos como o do último fim-de-semana em que partiram tudo) mas acho que a programação deve ser vasta até porque a música não é apenas a música clássica e erudita. sabes o que digo, que ponham os olhos em serralves, que no espaço de dez anos se tornou um dos museus de arte contemporânea mais importantes no panorama mundial e público não lhe falta...
beijo grande e desculpa-me o devaneio... mas por vezes irrita-me aquela coisa muito portuguesa de dizerem sempre mal de tudo e de todos
beijo grande
eu gosto muito da produção teórica do koolhaas especialmente das teorias desenvolvidas acerca da cidade genérica, e considero que é um excelente teórico destas coisas. contudo acho que o artigo do pitta foi registado numa perspectiva de observação muito sensata. não me pareceu que estivesse na atitude de falar mal por falar. apenas me manifestei no da literatura porque, depois de ficar cheia de vontade de ir à casa ver um bom espectáculo e ter visto o programa, nada me motivou, a não ser o espectáculo do proximo sábado, que infelizmente não vou poder ver. e com isto senti que não está a ser bem pensada a programação da casa. aliás o site também é pobrezinho. tal como referes, que ponham os olhos em serralves...! em relação ao projecto, quando o conheci, gostei. continuo a gostar, mas também acho que o conjunto de salas de espectáculos no porto precisava de uma capaz de apresentar os grandes espectáculos. acho que é um marco arquitectónico muito forte na cidade, diria até, catalizador, mas deve ser bem gerido. acho também que portugal vive um momento grave de crise, não se devia dar ao luxo de entrar na moda dos orçamentos desmedidos para concursos de arquitectura como estes. os portugueses simplesmente não são organizados nem cooperativos, senão tudo se teria composto se as coordenadas tivessem sido equacionadas à partida.por isso digo que arquitectura é mais do que uma imagem e uma assinatura. acho que é tipicamente português vestir a vaidade nestas situações. gastar balúrdios desmedidos para nos fazermos grandes porque não sabemos ser sensatos e modestos, e nestas alturas já ninguém se lembra que estamos mesmo, mesmo, em crise.
um beijo grande, victor.