num fundo branco em sombra


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e daqueles que não falam de dia, porque não querem, não podem ou porque a vida não deixa, vejo-os de noite a desabafar. surgem num fundo branco em sombra, e confessam-se. aquele que costumava atravessar o rio a nado todos os dias, para na outra margem poder ver isis, sua pretensão, mas que de tanto nadar perdeu as forças, para que finalmente visse que o seu amor estava na margem de onde sempre partira, surgiu sentado no ar, de costas mudas. beatriz via-o lançar-se na água e culpava isis por o chamar. isis gostava de falar com ele, quando se encontrava manso, sabia que se largaria dela, mesmo que não quisesse. Isis era o espelho de narciso, que na verdade nunca a amou, apenas gostava de se rever, e por isso atravessava o rio a nado todos os dias. narciso sentado rendido, sem falar nem pensar, esperou que isis lhe apertasse a mão para lhe dizer, eu sei que somos companheiros, mas não somos os nossos. beatriz e isis atravessavam o rio a levitar quando queriam estar juntas. entretidas a conversar lá iam concluindo que estavam todos de castigo nestas vidas. beatriz tinha muita pena de magnet. de noite, magnet surgiu no fundo branco cinza, com a alma exposta, revoltada como de dia não se vê, a dizer em pensamento que nunca gostou de narciso e que sabe que ele lhe enche as costas de palavras que não quer que veja. no mesmo fundo branco em sombra, surgiu também o anjo negro a dizer que ía ter de me dar a lista do seu edredon, agora que tinha os ciclos controlados, numa conversa híbrida de várias personagens. disse qualquer coisa, apenas para matar saudade. por fim, a ave que tudo vê de cima, mas que sabe voar entre os humanos e ter por eles amor, num corpo de homem digno, daqueles que já não se fazem, veio dizer que quando ela morreu, depois, levaram-me tudo. e que assim continuava apesar de ter voltado a sorrir e não se poder queixar. e assim passam as noites. a ouvir os que me querem falar.


5 Respostas a “num fundo branco em sombra”

  1. Anonymous Vasco Macieira 

    São assim os véus de ísis, quando retirados um a um... You can open walls of mistery - Stripshow! Beijos.

  2. Blogger Beatriz Seabra 

    stripshow!....lol....é engraçado que brinques com os textos, parece muito saudável! beijos.

  3. Anonymous vlealbarros 

    que beatriz não culpe isis pela liberdade do fascínio e pelo gosto do que toca a alma. beatriz teme demais, talvez não saiba que isis se move sobre o leve e que o tempo não lhe sobrecarrega os ombros. isis e beatriz são irmãs, partilham a mesma carne e o mesmo sangue. só a lança do destino as separa, obrigando beatriz a caminhar por terra e isis a caminhar pelo ar. no fundo branco em sombra, de costas mudas, ele continuará a murmurar-lhes segredos e só isis o entenderá completamente. e assim passarão as noites, ele com vontade de lhe falar, e ela com vontade de o escutar.

  4. Blogger R.Dart 

    Vasco, o teu comentário está demais :)
    Mas é assim mesmo. Os véus.
    Beatriz tens mesmo um dom. Ler-te é sempre um prazer.
    Abraço.
    Rosa

  5. Blogger R.Dart 

    Beatriz, deixei-te no meu blog um pequeno desafio/passa-testemunho...
    Beijinhos

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