cada um no seu canto à espera que o outro aparecesse. a olhar a abertura entre as cortinas na esperança de que tudo se resolvesse no início. foi assim que se fez o presente. sem agir. e deprimidos ficamos quando quem nos bateu à porta foi rafael e o anjo negro para nos acompanharem no caminho. sabiamos que a ilha ficava longe e que não a alcançariamos. mesmo assim aceitamos as suas companhias, as suas histórias as suas correntes presas a nós. o anjo negro está livre, foi solto e aliviado. rafael não. tem de cumprir a sua pena e continua preso à corrente, até ao fim. porque a ilha continua longe. a dor no centro do peito já não se manifesta. a ferida que os vértices da lua rasgaram fundiu-se na carne sã. já não acredito no depois. se vier, irei encará-lo como novo. vejo a planície americana no horizonte. a vontade de molhar os pés no oceano que desconheço. que seja aceite esta vontade e que vá visitar o condado das estrelas no escuro da noite. até lá, o antes será apagado durante o voo.
na espera o olhar é difícil, torna-se pesado olhar as flores e as núvens, tudo ganha uma dimensão cinzenta quebrada apenas por um raio de luz que pensamos ter início no infinito que alimenta os sonhos. e nessas horas o fascínio é uma ilusão, verdadeira, mas ilusão, que ficará sempre acorrentada como rafael... talvez noutro tempo, noutra espera, o oceano desconhecido possa molhar-te os pés e a maré te diga que é possível acreditar no depois.
Já nasceste? E estás vivo? Reinventemos os deuses e os mitos de todas as idades...
a.g. e vasco, vida nova. vamos la reinventar tudo de novo. beijos grandes...
Força e que esse voo te faça voar até onde desejas.
Jinhos**
Charlotte
Cara Beatriz, cheguei aqui pelas mãos do Leal, lá d'O Povo... gostei muito da maneira que escreves. Voltarei outras vezes. Abraços.
todas as crenças e acreditações implicam um depois. quando se está em vida, o depois não significa, é desnecessário acreditar.