à memória dos seios da mãe na extremidade dos lábios juntaram-se as línguas de diospiros humidas de não querer largar. do fruto, o gosto do leite, o abraço de cheiro suave, o rosto belo e triste. do que se exige das mães muito haveria para contar. não sabem que filhos esperam mas já os amam na condição de mãe, desconhecendo a história conjunta, mesmo não sabendo porquê, e por isso algumas, divergem em sentimentos que querem compreender. são levadas a amar aqueles que já as odiaram, a sobrepor o amor, sempre o amor, acima de tudo o amor. as mães sofrem por nós, mas também se satisfazem com o sofrimento que nos aprimora. e aqui está a vitória delas sobre nós. é sobre as suas saias que nos rendemos, é sobre os nossos olhos que esquecem a raiva. e amam-se as mães como se transporta um peso no peito que nos esforça a carne e dilata os ossos, como quando nos dão colo, e lhes deformamos o corpo. queremos sempre ter o amor de mãe como certo. indizível, é no silêncio que mais se manifesta, como se não fosse possível revelar a profundidade onde se guarda e de onde se pretende a ficar. sobre as mães o silêncio fala mais fundo.
Havia uma frase no filme The Crow que acho que sintetiza bem a mensagem que queres fazer passar com este lindo texto: 'Mãe é o nome de Deus na boca das crianças...' Infelizmente, perdi a minha aos dezassete anos e sei bem o quanto custa perder alguém que é quase o nosso prolongamento emocional. Acho que chorei tanto que hoje até já me é difícil expressar através das lágrimas. E tb porque encaro a morte de uma certa forma...
é isso, mãe é o nome de deus na boca das crianças, o que nunca deixaremos de ser, assim como as mães também nunca deixaram se ser crianças. encarar a morte de uma certa forma...é a forma mais natural de encarar a perda, que é apenas física...o reencontro ou o reconhecimento estará sempre na linha do horizonte. beijo grande.
o amor das mães é exageradamente incondicional... mesmo antes de saberem quem são os filhos como escreves. ele existe numa dimensão que é difícil de enquadrar e perceber. há episódios em particular que me marcam profundamente, como exemplo dou-te a mãe que vai todos os domingos levar de comer ao filho ou filha que se encontra no estabelecimento prisional. é uma imagem que me comove, independentemente de tudo o que ele ou ela tenham feito o amor da mãe é absolutamente superior a qualquer noção ética ou moral. é uma espécie de amor predestinado, quase cego, que no caso que descrevi pode ser de um alívio incrível para os filhos noutros casos leva-os à fuga por sentirem nesse amor um obstáculo ao seu próprio crescimento. é como dizes "sobre as mães o silêncio fala mais fundo" é impossível descrever o que nos liga a elas, talvez o silêncio...
Bela Homenagem Beatriz.
Tudo que aqui foi dito transcende o inteligível. Talvez mais animal mesmo, a forma como qualquer animal defende a cria. Um sentimento que nos deixa sem palavras, o olhar delas temo-lo para sempre.
Bela Homenagem Beatriz.
Tudo que aqui foi dito transcende o inteligível. Talvez mais animal mesmo, a forma como qualquer animal defende a cria. Um sentimento que nos deixa sem palavras, o olhar delas temo-lo para sempre.