sentido como o beijo que me lançaste
26.6.05 por Beatriz Seabra | Enviar este post
à mesa para ele eu era aquela que no filme o abandona depois de tão intensa paixão, por outro que abriu caminho. para ele eu era leve e livre. ficou a vê-la partir a saber que a teria de volta. a falarem no pensamento que se voltariam a ver, dali por muito tempo. no presente já apenas lhe interessava o amor mesmo sabendo que não o alcançaria. vedaram-lhe o acesso, fecharam-lhe a porta, como a tantos outros. lembrava os ritmos do kusturica enquanto desenfreadamente saltou à corda. passou o tempo a actuar e a entreter as pessoas para esquecer que mesmo que saltasse o muro do outro lado não teria chão. Adorava as danças clássicas, e essas apenas dançava com mulheres. era lindo. de cabelos lisos e pretos. os olhos perigosos rendiam qualquer observador. pedi-lhe que colocasse os óculos. mas não sabia que deus lhe tinha dado aquela arma. elegantíssimo vestiu as calças que o trouxeram à minha presença e levou o casaco verde água que comentei. surpreendia-nos com as vozes que fazia a testar os nossos reflexos. galvanizado a querer saber onde vivia. a medo de ser falado consciente de que havia pisado uma flor. sentiu o meu peso quando me viu. as cores muito claras avivaram-lhe a memória a reconhecer dignidade. falamos de tudo como a resolver. com maturidade. como deve ser. no verão em bilbao, a tia que insultara por amor. a outra mãe que teve. levou-nos a conhecer o esperanto entre gente boa baseada nos anos sessenta com medo de ver que tudo vai ser pior do que o esperado e que o esperanto agora é o inglês. mais belo por perto do que no ecrã revia-o a publicitar para as mulheres. um animador sentido como o beijo que me lançaste no voo. a superar tudo o que de pior nos pode ter acontecido.
:)