terá de se habituar a esta presença
14.7.05 por Beatriz Seabra | Enviar este post
por um momento, sorriu e pensou que seria bom, sentar-se na esplanada, ver a noite e as estrelas, porque não. para logo depois sentir o habitual sinal no interior do peito, quando o que vem por aí, não é puro. optou por ir ver o rio, escuro a reflectir o luar, sombra dos peixes. desceu o passeio com o pé pesado a pousar no chão, o frio dos ossos a latir pelo corpo acima, cristalizou a mente no tempo. uma lâmina de aço uniu a testa ao outro pé, obrigando-o a descer. Com os pés dentro de uma base de gelo, e sem autonomia, atravessou a rua, lentamente, a firmar cada passo no paralelo até alcançar o piso liso da betonilha. a cruzeta que lhe segurava os ombros e alteava a coluna, estava ligada ao céu. o ar fresco à volta do pescoço dizia-lhe que sim. que a sombra dos peixes era bonita de se ver à noite, e a luz que iluminava o passeio ofuscava os olhos. o chão inclinou-se para a margem, soltou os pés dos socos para os arrejar sobre a água do rio. a esplanada longe, sem se ver, apenas as luzes a iluminar as paredes de granito, e os arbustos a reflectir o ouro do prémio a anunciar. o seio pesa-me e doi. sem poder atravessar o oceano, pendo de novo para a rama como a querer evaporar. terá de se habituar a esta presença.
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